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O aço na construção de casas populares

O déficit habitacional no Brasil afeta, sobretudo, a população de baixa renda. Atenta a esse problema, a revista Crea-SP mostra exemplos de investimentos em sistemas construtivos que aliam rapidez e custos mais baixos.



O aço na construção de casas populares

Desde o governo Fernando Henrique, a indústria do aço tem dedicado particular atenção à atualização dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD), que mostra a dimensão de um grave problema social, há décadas sem solução: a falta de moradia para as famílias de menor poder aquisitivo. A PNAD aponta um déficit habitacional de 6,6 milhões de unidades. As famílias que ganham até três salários mínimos representam 83% deste universo. O problema é mais agudo no Nordeste e no Sudeste, que concentram 75% desse enorme déficit. Entre os brasileiros, a média nacional de domicílios por família é de 0,92, nos EUA este número salta para 1,4 e na Argentina para 1,12. Se for levada em conta a inadequação das habitações em todo o Brasil, o quadro se agrava, com defasagem de mais de 10 milhões de unidades habitacionais.

O maior nó dessa questão é a falta de financiamento, que por sua vez está atrelado à instabilidade econômica. Quando se discute esse tema, vários outros fatores acabam sendo expostos, como, por exemplo, os custos da construção. Um dos grandes desafios impostos às lideranças do setor é apresentar para a sociedade produtos que aliem baixo custo e qualidade. O aço é, então, colocado como uma alternativa potencial. Não é à toa que os grandes grupos siderúrgicos passaram, nos últimos anos, a desenvolver diferentes tecnologias, que garantem o emprego do aço na construção de moradias populares.

Em São Paulo, a Cosipa, por exemplo, aposta numa solução batizada de Casa Cosipa, um tipo de moradia que pode ser construída entre seis e dez dias, enquanto uma obra convencional necessita de 40 dias. Projetada dentro dos padrões da Companhia de Desenvolvimento Urbano (CDHU), a casa é composta por dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro e tem 36 m² de área útil. O custo fica entre R$ 7mil, sem acabamento e em sistema de mutirão, e R$ 13,5 mil, com acabamento (piso de cerâmica e azulejo). "Trata-se de uma excelente opção, principalmente para as administrações públicas que precisam de agilidade na construção, por contas do déficit habitacional que temos em todo o país", afirma o arquiteto e coordenador do Núcleo de Aço na Construção Civil, da Cosipa, Roberto Inaba. "Além de rápida, a casa pode ser construída por poucos homens e com o mínimo de ferramentas".

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A Casa Cosipa é entregue em um kit composto por apenas cinco tipos diferentes de perfis, o maior deles pesando somente 23kg. Depois de montada, a casa pode receber qualquer tipo de telha. A alvenaria que é apenas de vedação pode ser executada com vários tipos de fechamento. Outra garantia é a durabilidade do produto, pois o aço utilizado para a confecção da estrutura é o COS AR COR 400 E, que apresenta maior resistência à corrosão atmosférica.

Segundo superintendente de Marketing da siderúrgica, Hideyuki Hariki, as construções em aço são comuns nos países desenvolvidos. "Enquanto na Inglaterra 65% das construções apresentam estruturas metálicas, no Brasil o percentual fica entre 3% e 5%", afirma o executivo. "Aos poucos, o país tem vencido da cultura do concreto, já dispondo de tecnologia de ponta, adaptada à sua realidade".

Para colocar no mercado este tipo de solução, a Cosipa optou por um sistema de parceria com a distribuidora Pires do Rio. A siderúrgica fornece o aço e todo o suporte técnico, enquanto o parceiro fabrica os perfis e faz a montagem dos kits. "A estrutura metálica permite o uso de qualquer alvenaria e acabamento. Ela é leve e pode reduzir o custo das fundações em até 30%", destaca Hariki. "Além disso, o aço é 100% reciclável e reduz o consumo de madeira no canteiro de obra".

A expectativa é que as prefeituras e também as secretarias estaduais de Habitação e Desenvolvimento optem por construir em aço. Na Grande São Paulo, a CDHU apóia a construção de 335 prédios em aço (cinco e sete pavimentos), dos quais 175 têm projetos da siderúrgica de Cubatão.

Edifício pronto em 116 dias

Outra gigante do aço que está de olho no mercado de moradias populares é a Usiminas, que vem comercializando o Usiteto. O sistema permite a construção de edifícios residenciais e casas em estrutura metálica de forma rápida, econômica, moderna e simples. A casa planejada para o Usiteto é composta por um engradamento metálico e por colunas que sevem de guias para o alinhamento das alvenarias, tudo é feito em perfis de aços resistentes à corrosão atmosférica. A casa pode ser construída em módulos, sendo, inicialmente, montados um quarto, cozinha e banheiro. A primeira expansão acrescenta uma sala e, a segunda, um outro quarto. Ao final das expansões é entregue, pronta e acabada, uma residência de 36 m². Já a solução predial apresenta um projeto de quatro pavimentos, com dezesseis unidades por edificação. Cada unidade possui uma área total de 46,69 m² (45,52 m² de área útil) divididos entre sala, dois quartos, uma pequena circulação, um banheiro, cozinha e área de serviço. O cronograma de execução de um prédio no sistema Usiteto prevê 116 dias de trabalho.

A grande vitrine está em São Paulo, onde a Usiminas fechou contrato coma CDHU para a construção de vários conjuntos de edifícios totalizando 3.167 unidades habitacionais em bairros e municípios da Região Metropolitana de São Paulo, num período de 24 meses. Trata-se do maior projeto do Usiteto no Brasil.

Cada moradia (de 40 m² a 46 m²) que tem sala cozinha, banheiro e área de serviço, vai custar para a CDHU, cerca de R$17 mil. Já o usuário terá 25 anos de prazo para pagar o imóvel, com prestações de R$27. " estimativa é que cerca de 12 mil famílias sejam beneficiadas pelo programa" afirma o diretor da Cobansa - empresa responsável pela gestão comercial do Usiteto -, Roberto Sérgio Abdala. Segundo ele, outros projetos também foram negociados nos últimos meses em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Radiografia do Setor Siderúrgico

Em 2002, foram produzidas no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia, mais de 29,6 milhões de toneladas de aço bruto (contra 26,7 milhões em 2001), o que coloca o País entre os oito maiores produtores mundiais. O total das exportações de produtos siderúrgicos em 2002 ultrapassou US$ 2,9 bilhões, com um crescimento de 28,3 em relação a 2001. As importações bateram a casa de US$ 2, 5 bilhões. Para 2003, a expectativa é de que sejam produzidas mais de 31 milhões de toneladas. A capacidade instalada da siderurgia nacional é de 32 milhões de toneladas/ano. Com a projeção de novos investimentos superiores a US$ 3 bilhões, até 2005, o País terá capacidade de produzir quase 37 bilhões de toneladas em 2007.

Esses números podem ser considerados pequenos, se comparados aos dos líderes globais: China, com um volume anual de 148,9 milhões de toneladas e Japão (103,9 milhões/ano). O Brasil continua sendo o maior produtor da América Latina, respondendo por 53% da produção da região.

A siderurgia brasileira está entre as melhores do mundo em competitividade. Nos últimos 10 anos, foram investidos no setor US$ 10 bilhões, o que possibilitou uma total modernização das usinas. Como resultado, o País tem o menor custo de produção de placas. Essa competitividade tem gerado atritos comerciais com os EUA, cujas siderúrgicas tem um alto custo de produção. O governo americano, ao sobretaxar produtos brasileiros, acaba gerando um efeito dominó, já que outros países, preventivamente, também adotam medidas protecionistas.

A versatilidade e resistência do inox

No Brasil, como em muitos países, um outro tipo de aço também faz sucesso na arquitetura e construção civil: o inox. Utilizado originalmente em obras onde o requisito principal era a resistência à corrosão, ele vem sendo largamente especificado por seu apelo estético e suas condições de higiene. Visualmente atraente, requer apenas um mínimo de manutenção em todas as suas aplicações. O engenheiro mecânico, Mauro Patrício, gerente de negócios da Acesita, destaca algumas delas: revestimento (painéis, fachadas e colunas), mobiliários urbanos (bancas de jornal, ponto de ônibus), artigos diversos (escada, corrimão). "Temos um trabalho de sensibilização que abrange toda uma cadeia produtiva", explica Patrício. "De um lado atuamos junto a escritórios de arquitetura e construtoras; do outro damos atenção aos transformadores e fornecedores de sistemas como vedação e fixação".

Em 1992, representantes dessa rede uniram-se para formar o Núcleo de Desenvolvimento Técnico Mercadológico do Aço Inoxidável (Núcleo Inox), uma associação cujo objetivo é congregar pessoas físicas e jurídicas que, no Brasil, se dediquem à pesquisa, fabricação, comercialização ou transformação do aço inoxidável.

Trata-se de um material com propriedades mecânicas que permitem a utilização de espessuras mais finas, com a conseqüente redução de peso da construção, sem comprometer a resistência e criando substanciais reduções de custo, tornando-o mais competitivo.

O inox da Acesita, por exemplo, vem dando forma a diversos edifícios como os do Bank Boston, na região da avenida Berrini, e o da Vivo, ambos em São Paulo. No primeiro, inaugurado em 2002, foram utilizadas, segundo Mauro Patrício, 120 toneladas de aço inox (especificação AISI 316, com 1,5mm de espessura), com acabamento lixado e polido. "O prédio da operadora Vivo (2003) consumiu 100 toneladas do aço AISI 304, com espessura de 1,50mm, sendo que o acabamento foi espelhado e lixado", revela o engenheiro.

Fonte: Revista CREA-SP - Ano II - Nº10 - Jul/Ago 2003

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